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Tropa do VorcaroAcervo do caso Banco Master

Dossiês

Quem ficou com o prejuízo?

O FGC pagou dezenas de bilhões a clientes cobertos; institutos de previdência e o BRB ficaram fora da garantia; quem paga, no fim, são os bancos associados ao FGC, os entes que garantem as aposentadorias e o controlador do BRB. O que já se sabe e o que ainda depende da liquidação.

Documentado Atualizado em 2026-10-17T00:00:00.000Z

Resumo

Não há ainda um número único e oficial para “o prejuízo do caso Master”. Há várias contas, de pagadores diferentes, que não se somam. Esta página separa cada uma.

1. O Fundo Garantidor de Créditos

O FGC informou que a garantia do Banco Master, do Master de Investimento e do Letsbank alcança cerca de 800 mil credores, número inferior à estimativa inicial de 1,6 milhão [1]. Os pagamentos começaram em 19/01/2026 [2]; até 06/04/2026 o FGC havia pago R$ 39,3 bilhões, 96,9% do montante [3]. O Banco Central registra R$ 40,4 bilhões estimados em valor de cobertura para essas três instituições [4].

O FGC é mantido pelos bancos associados. Para recompor o caixa depois do caso, o conselho do fundo decidiu antecipar contribuições [5]. Na prática, o custo é repartido pelo sistema financeiro.

Os pagamentos de garantia do Will Bank e do Banco Pleno (ex-Voiter), liquidados depois, aparecem em estatísticas separadas do FGC [6] [7]. Isso não significa um limite de garantia adicional: o Will integra o conglomerado Master para o limite de R$ 250 mil, com regra de transição para produtos adquiridos antes de sua compra pelo Master [8]. O enquadramento do Pleno não foi verificado. As reportagens trazem totais de R$ 47 bi a R$ 56 bi para o custo do FGC com o conjunto; os perímetros são diferentes e o acervo não os soma [9].

2. Quem ficou fora da garantia

Institutos de previdência. Letras financeiras e créditos de regimes próprios não têm cobertura do FGC [10]. Cerca de R$ 1,87 bilhão foi aplicado diretamente nesses papéis por pelo menos 18 regimes [11]. Se faltar dinheiro, o estado ou o município responde pelas aposentadorias [12]. Até agora só a Amazonprev registrou perda em demonstração contábil localizada [13]. Veja o dossiê das aposentadorias.

O BRB. O banco do DF confirmou prejuízo de R$ 2,6 bilhões nos títulos da Tirreno e provisão total de R$ 8,8 bilhões [14]. O controlador do BRB é o governo do Distrito Federal [15]. Veja o dossiê do BRB.

Outros bancos públicos. O Banco da Amazônia comprou R$ 39 milhões em letras financeiras do Master, também sem garantia do FGC [16].

Investidores acima do limite e credores não cobertos. Quem tinha mais de R$ 250 mil no conglomerado, ou papéis não garantidos, depende do que a liquidante recuperar. A liquidante foi à Justiça dos Estados Unidos para tentar reaver imóveis que atribui a desvio de recursos do banco [17] — alegação de parte, ainda sem decisão de mérito localizada.

O que não se deve somar

  • Valor aplicado por um instituto não é prejuízo: parte pode ser recuperada na liquidação.
  • O que o FGC pagou e o que os institutos aplicaram são dinheiros de naturezas diferentes.
  • As medidas do caso BRB (R$ 12,2 bi, R$ 16,7 bi, R$ 17,5 bi, R$ 33,9 bi) têm perímetros diferentes.

O que ainda não se sabe

  • Valor do passivo do Master fora da garantia do FGC e posição dos credores acima de R$ 250 mil.
  • Quanto a liquidante já recuperou e em que ordem os credores serão pagos.
  • Perda reconhecida em balanço pela maioria dos institutos de previdência e pelo BRB.
  • Custo total do FGC com Master, Will Bank e Pleno: as reportagens trazem números com perímetros diferentes (R$ 47 bi a R$ 56 bi), não conciliados.