Resumo
O BRB é controlado pelo governo do Distrito Federal [1]. Em 28/03/2025 o Conselho de Administração aprovou por unanimidade a compra de 49% das ações ordinárias e 100% das preferenciais do Master [2], por cerca de R$ 2 bilhões [3]. A Câmara Legislativa autorizou a compra por 14 votos a 7 em 19/08/2025 [4], em projeto enviado pelo Executivo distrital [5]. O Banco Central indeferiu a operação em 03/09/2025 [6].
A compra do banco não aconteceu. Mas, antes e durante a negociação, o BRB comprou do Master carteiras de crédito — e é aí que está o dinheiro.
Valores por natureza (não somar)
| Natureza | Valor | Quem afirma |
|---|---|---|
| Proposto pela participação no Master | R$ 2 bi | Agência Brasil [7] |
| Carteiras da Tirreno revendidas ao BRB (contratado) | ver evidência | relatório do grupo de trabalho do BRB [8] |
| Pago por créditos + “prêmio” | R$ 6,7 bi + R$ 5,5 bi | documentos da Compliance Zero; contestado [9] |
| Repassado ao grupo entre jul/2024 e out/2025 | cerca de R$ 16,7 bi | PF, alegação [10] |
| Total de carteiras analisado pelo perito | R$ 17,5 bi | laudo da PF [11] |
| Prejuízo nos títulos da Tirreno; provisão total | R$ 2,6 bi; R$ 8,8 bi | o próprio BRB [12] |
Os R$ 16,7 bi, R$ 17 bi e R$ 17,5 bi são medidas diferentes de um mesmo conjunto de operações, com perímetros distintos; não se somam. Carteiras devolvidas e trocadas por outros ativos não são dinheiro recuperado.
Quem decidiu
- Governo do DF: Ibaneis Rocha governou até 30/03/2026 [13]; escolheu Paulo Henrique Costa para presidir o BRB em 2019 [14] e sancionou a lei de autorização [15]. A PF descreve um papel maior do governador nas decisões do banco; isso é alegação, e a defesa nega [16].
- Conselho de Administração: aprovou a compra em 28/03/2025; os votos individuais não foram localizados.
- Diretoria Colegiada: um laudo da PF aponta participação individual de seis ex-dirigentes nas compras de carteiras [17] — alegação, fonte única.
- Câmara Legislativa: autorizou a compra [18].
- Banco Central: indeferiu [19].
Investigações
Costa foi afastado em 18/11/2025 [20] e preso em 16/04/2026, na quarta fase da Compliance Zero [21]. O Tribunal de Contas do DF bloqueou cautelarmente até R$ 2,76 bilhões de cinco ex-dirigentes [22]. Nenhuma denúncia criminal foi localizada até a última verificação.
Contraditório
A defesa de Costa afirma que ele “foi presidente do BRB, não seu dono” e que decisões desse porte envolviam outras instâncias [23]. Vorcaro disse ao STF que o BRB nunca pagou de fato pelas carteiras [24] — versão que conflita com os documentos da investigação.