Estado de origem de Daniel Vorcaro e de parte do grupo familiar. O deputado Nikolas Ferreira voou em jato de empresa da qual Vorcaro era sócio; o pai de Vorcaro doou R$ 1 milhão ao diretório estadual do Novo; o instituto de Congonhas aplicou R$ 14 milhões em letras do Master. Nenhuma doação de pessoas do grupo à campanha de Romeu Zema foi localizada.
Atualizado em 17/10/2026.
O que está documentado
Origem empresarial. A Bloomberg Línea descreve Vorcaro como empresário mineiro, herdeiro do grupo familiar Multipar [1]. Em 2023–2024, um fundo de investimento ligado a ele aportou recursos na sociedade anônima do futebol do Atlético Mineiro [2] [3].
Nikolas Ferreira e o jato. O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) viajou, no segundo turno da eleição de 2022, em um jato Phenom 300 da empresa Prime You, que confirma Vorcaro como sócio minoritário na época [4] [5]. A Prime You diz que Vorcaro não era dono da aeronave e que os trechos foram fretados [6]. Em mensagem de 2024, Vorcaro escreveu que “bancou” os voos — afirmação dele, sem comprovante [7]. Nikolas disse primeiro que foi convidado por um pastor e não sabia o dono do avião [8]; depois admitiu ter aceitado a oferta do banqueiro [9]. O TCU arquivou representação sobre o caso por entender que a competência é da Justiça Eleitoral [10]. Usar um avião não é receber dinheiro.
Romeu Zema. Não há registro de doação de Vorcaro, familiares, sócios ou executivos à campanha de Zema (Novo) em 2018 ou 2022 nas bases oficiais consultadas [11]. O registro existente é a doação de R$ 1 milhão de Henrique Vorcaro, pai do banqueiro, ao diretório estadual do Novo em 2022, para manutenção do partido [12]. Zema diz que nenhum centavo entrou na campanha dele [13]. Felipe Cançado Vorcaro doou à campanha de Lucas Gonzalez (Novo) a deputado federal, não à de Zema [14].
Previdência municipal. A Prevcon, instituto de previdência de Congonhas, comprou R$ 14 milhões em letras financeiras do Master em maio de 2024, quando o prefeito era Cláudio Antônio de Souza, o Dr. Dinho [15]. Em 31/10/2025 o saldo era de R$ 16,5 milhões — saldo naquela data, não prejuízo [16].
Respostas
Daniel Vorcaro (3 dez. 2025): Segundo o ICL Notícias, Vorcaro e o Banco Master não responderam às perguntas do repórter sobre a origem dos recursos usados na compra do Máxima, mas negaram irregularidades na gestão do banco. Em abril de 2026 a Folhapress registrou que a defesa foi procurada e não se manifestou sobre os votos do BC de 2019.
Daniel Vorcaro (ago. 2026): Em depoimento à PF (sexta-feira, 28, mês inferido de resumo da própria página), segundo a Revista Oeste, Vorcaro negou ter dito que pagou diretores do BC; admitiu ter oferecido serviço de concierge a Paulo Sérgio Neves de Souza na viagem da família à Disney, que descreveu como «agrado» e não pagamento, e disse que enviar minutas de documentos do Master a diretores do BC era prática para evitar problemas com o regulador. Disse não lembrar se houve reembolso. A reportagem não traz posição dos advogados.
Daniel Vorcaro (8 set. 2026): A reportagem registra apenas que «as defesas negam irregularidades» no caso Brazil Realty FII; o conteúdo da defesa e as razões do recurso não foram localizados.
Daniel Vorcaro (2025): Segundo o Metrópoles, Vorcaro teria dito ao STF que o BRB nunca pagou de fato pelas carteiras. Em carta divulgada em 13/10/2026 disse querer falar de forma objetiva e transparente sobre todos os assuntos investigados.
Daniel Vorcaro (9 jun. 2026): Em nova proposta de delação, segundo o Correio da Manhã, Vorcaro afirma que o contrato foi lícito, que Moraes não ofereceu contrapartida para os pagamentos, que o escritório recebeu R$ 80,2 milhões até a liquidação e que um novo contrato de R$ 50 milhões nunca foi assinado. É declaração do pagador em proposta de delação; não confirmação independente.
Romeu Zema (14 maio 2026): Zema diz que os recursos foram ao partido e não a sua campanha, que a doação é registrada na Justiça Eleitoral e que ocorreu antes de suspeitas contra Vorcaro. O Novo diz que a doação é pública e foi feita quando as ilegalidades do Master eram desconhecidas.
Daniel Vorcaro (28 nov. 2025): Os advogados de Vorcaro negaram que ele tenha tentado deixar o país quando foi preso em Guarulhos, segundo a Agência Brasil.
Daniel Vorcaro (9 out. 2026): Os advogados Sergio Leonardo e Engels Muniz disseram que Vorcaro não prestou depoimento à PF ou à PGR, que a defesa não reconhece origem, autenticidade e integridade do material divulgado pela Veja e que ele segue disponível para colaborar.
Daniel Vorcaro (15 out. 2026): A defesa diz que Vorcaro depôs de forma colaborativa e respondeu a todas as perguntas, que a versão inicial da investigação não se sustenta no plano factual ou jurídico, pede arquivamento do inquérito BRB-Master e revogação da preventiva por ausência de prova de ilícito, e disse que apresentaria contestação cível e pediria perícia.
Daniel Vorcaro (14 out. 2026): A defesa não quis se manifestar sobre a reportagem do UOL e não explicou o uso do GV-SP; nenhuma versão da defesa sobre a festa de 28/02/2025, as viagens ou os imóveis dos EUA foi localizada nas fontes lidas.
Nikolas Ferreira (3 mar. 2026): Nikolas confirmou o voo no segundo turno de 2022, disse que foi convite do pastor Guilherme Batista para agenda de campanha, que não sabia quem era o dono do avião, que não tratou de logística nem buscou saber quem financiou os voos e que não tem vínculo pessoal, comercial ou institucional com o proprietário; ironizou a ideia de que pudesse prever 'crime futuro' de terceiros e afirmou ter assinado pedido de CPMI sobre o Master.
Nikolas Ferreira (3 set. 2026): Em vídeo, Nikolas admitiu ter contatado Vorcaro ao menos duas vezes, ter pedido ajuda para um ativo minerário de seu advogado e ter aceitado a oferta de um jatinho do banqueiro no segundo turno de 2022, 'quando eu já estava eleito'; disse que nunca recebeu dinheiro nem encontrou Vorcaro, que se desculpou a pedido de Valadão pela publicação de abril de 2024 e que quem fechou contrato com Vorcaro foi 'a mulher do Moraes'. A reportagem do ICL não traz resposta dele à frase específica sobre os voos; o advogado dele negou que ele tenha apagado publicações.
Daniel Vorcaro (3 mar. 2026): A defesa de Vorcaro afirmou, segundo a Jovem Pan, que a aeronave 'não pertence ao banqueiro'. Não há resposta localizada da defesa à mensagem de abril de 2024 sobre os voos.
Romeu Zema (14 maio 2026): Zema disse que o dinheiro doado foi ao partido e não a ele, que nenhum centavo entrou em sua campanha, que a doação foi legal e transparente e feita em 2022, antes de qualquer suspeita contra Vorcaro, e rejeitou a crítica dizendo que não 'tem o rabo preso'.
Romeu Zema (6 ago. 2026): Em 27/07/2026 Zema atribuiu a doação a 'pessoas que acreditam em um projeto diferente' e disse que só soube dela depois de criticar contratos de Vorcaro; em 06/08/2026, na GloboNews, disse que o doador 'deve ter doado para o partido errado, por engano', que nunca recebeu doação do Master nem da família Vorcaro, que o partido não assumiu compromisso em troca e que não aconselhou devolver o dinheiro, já gasto em campanhas de deputados.