O que este documento sustenta no acervo
O dinheiro aplicado pela Cedae no Master foi aplicação financeira da própria companhia estadual de águas e esgotos (recursos da empresa, classificados pelo projeto como caixa de estatal), e não recursos de previdência nem do tesouro estadual. As reportagens não usam a palavra 'caixa'. Segundo a auditoria interna, as tratativas ficaram concentradas na Diretoria Financeira; o ex-diretor financeiro afirma que o colegiado acompanhou todas as etapas.
Documento descrito pela reportagem; íntegra não examinada pelo projeto.
Segundo a ICL, quando o Master deixou de pagar o saldo a receber da Cedae era de R$ 220.486.968,53; o pedido de resgate foi feito no dia seguinte ao veto do Banco Central anunciado em 3 de setembro de 2025 (data de 04/09/2025 deduzida); a primeira parcela do reescalonamento foi depositada em 15 de setembro de 2025 e o calote se confirmou em novembro, quando o BC decretou a liquidação.
A auditoria interna da Cedae, concluída em 28/05/2026, aponta possível prejuízo de R$ 222,1 milhões com as aplicações no Master; outras reportagens falam em mais de R$ 220 milhões, sem detalhar a composição.
A política de investimentos da Cedae exigia classificação mínima A- e avaliação de ao menos duas agências; o Master tinha só a da Fitch (BBB-). Em 2023 a Cedae flexibilizou critérios de risco e rating: resolução da Diretoria Executiva de 22/08/2023, reunião do Comitê de Auditoria de 11/09/2023 e a 778ª reunião do Conselho de Administração, que aprovou alteração da Política Institucional de Aplicações Financeiras; o aporte veio em outubro.
Documento descrito pela reportagem; íntegra não examinada pelo projeto.
Antonio Carlos dos Santos era diretor financeiro (administrativo-financeiro e de relações com investidores) da Cedae desde novembro de 2022 e, segundo a auditoria interna, foi o principal responsável por conduzir o processo de investimento no Master; foi exonerado pelo governador em exercício Ricardo Couto em abril de 2026.
Documento descrito pela reportagem; íntegra não examinada pelo projeto.
Antonio Carlos dos Santos (jun. 2026): Repudiou de forma veemente a alegação de que teria omitido informações ao Conselho de Administração, dizendo que o colegiado recebia relatórios mensais; em outra reportagem negou participação em qualquer irregularidade e afirmou que o conselho acompanhou o processo.
Segundo a auditoria interna, representantes do Master estiveram na sede da Cedae em 17/05/2023, reunião anterior ao primeiro contato formal informado pela administração anterior; em 27/06/2023 o Master pediu cadastro como contraparte da Cedae. O interlocutor do banco numa reunião em São Paulo foi Maurício Quadrado, então sócio e co-CEO.
Documento descrito pela reportagem; íntegra não examinada pelo projeto.
Cláudio Castro (3 jun. 2026): Castro, por sua defesa, disse que o governador não participa da política de investimentos da Cedae, que a ligação entre o jantar em Nova York e a reunião na Cedae e falsa e que, a época, o Master tinha situação regular. A Cedae diz que a nova gestão mudou a política e exonerou os responsáveis.
A gestão da Cedae que assumiu em abril de 2026 exonerou os responsáveis pelos aportes, alterou a política de investimentos, abriu apuração interna (sindicância com prazo de 30 dias e tomada de contas para identificar responsáveis e buscar ressarcimento) e recomendou o envio do relatório ao TCE-RJ e ao MPRJ; contratou sem licitação escritórios de advocacia para recuperar o crédito, em valor que a ICL estima em mais de R$ 10 milhões.